
Neste artigo
- A orelha em pé do Doberman é cirurgia, não natureza
- O que diz a lei e o padrão da raça
- Os números do padrão, e o que ele diz da orelha inteira
- A orelha do filhote muda, e isso assusta quem é de primeira viagem
- Mito e verdade sobre a orelha caída
- Cuidar de uma orelha caída em cidade de praia
- Por que o Dobs Kennel não corta
- Como identificar o criador pelo detalhe da orelha
- As perguntas que chegam no nosso WhatsApp
Essa é uma das perguntas mais frequentes no nosso WhatsApp: "o filhote já vem com a orelha em pé?". A resposta honesta em uma linha: a orelha natural do Doberman não fica em pé, e a nossa escolha é não cortar. Este artigo explica a resposta inteira: o que é natural, o que é cirurgia, o que diz a lei e por que o Doberman de orelha caída é o mesmo cão de guarda de sempre.
A orelha em pé do Doberman é cirurgia, não natureza
O Doberman nasce com orelhas médias, macias e caídas para a frente, emoldurando o rosto. A orelha em pé, fina e pontuda dos filmes é resultado da conchectomia: uma amputação cirúrgica de boa parte da orelha, feita no filhote, seguida de semanas ou meses de curativos e talas para forçar a cartilagem a ficar ereta. Não há treino, cálcio ou "fita ensinadeira" que levante a orelha natural do Doberman: quem promete um filhote de "orelha em pé natural" está prometendo o que a genética da raça não entrega.
O que diz a lei e o padrão da raça
- No Brasil, o corte estético de orelhas e cauda é vedado aos veterinários pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária: a conchectomia é proibida desde a Resolução CFMV nº 877/2008, e a caudectomia entrou na lista de procedimentos proibidos com a Resolução CFMV nº 1.595/2024, de março de 2024. Quem faz hoje, faz fora da regra da profissão.
- Na Europa, a Alemanha, país onde a raça nasceu, proibiu o corte de orelhas ainda em 1987, e o padrão da raça prevê igual apreciação para a orelha não cortada. Nas pistas de exposição europeias, cão cortado está fora.
- O caminho do mundo é um só: a cirurgia estética está desaparecendo da raça, e as novas gerações de Dobermans que você vê em criadores sérios já são de orelha natural.
Os números do padrão, e o que ele diz da orelha inteira
O Dobermann é o padrão FCI nº 143, grupo 2, e é dele que sai a régua oficial da raça, a mesma que a CBKC adota aqui. Os números que quase ninguém cita ao vender um filhote: macho de 68 a 72 cm na cernelha, com cerca de 40 a 45 kg; fêmea de 63 a 68 cm, com cerca de 32 a 35 kg. O mesmo documento define as duas únicas cores aceitas, assunto que abrimos em as cores do Doberman.
Sobre a orelha, o texto do padrão resolve a discussão inteira: nos países onde o corte é proibido, a orelha não cortada tem igual apreciação no julgamento, descrita como de tamanho médio, inserção alta e com o bordo dianteiro encostado na face. Traduzindo para a conversa de quem vai comprar: o cão de orelha caída não perde um ponto sequer por estar inteiro. Quem sai da pista é o cortado, nos países que já viraram essa página.
A orelha do filhote muda, e isso assusta quem é de primeira viagem
A orelha natural do filhote de Doberman não fica parada: ela sobe, cai, abre para o lado e volta, principalmente entre os três e os seis meses, quando a troca de dentes está a pleno vapor e a cartilagem ainda é mole. É comum um filhote passar semanas com uma orelha meio erguida e a outra caída, e o dono achar que ela está "ficando em pé sozinha".

Não está, e vai assentar. Quando a dentição definitiva termina e a musculatura da cabeça firma, a orelha volta à posição de adulto e emoldura a face como o padrão descreve. O que a gente pede às famílias nessa fase é justamente o mais difícil: não mexer. Nada de massagear, colar, enfaixar ou amarrar. Orelha de filhote é cartilagem em formação, e manipular ali machuca e pode gerar otohematoma, aquele inchaço de sangue entre as camadas da orelha que aí sim deforma de vez. Rotina de casa nessa idade está contada em a primeira semana do filhote em casa.
Mito e verdade sobre a orelha caída
| O que dizem por aí | O que é verdade |
|---|---|
| "Orelha em pé é o Doberman original" | O original nasce de orelha caída. O "em pé" foi moda de estética com bisturi. |
| "Cortar previne otite" | Não há comprovação séria disso. Higiene e manejo previnem otite, cirurgia não. |
| "De orelha caída ele não impõe respeito" | Os 40 quilos de músculo, o latido e a presença continuam exatamente no lugar. |
| "O corte é rapidinho e não dói" | É amputação com pós-operatório longo, dolorido, na fase mais sensível do filhote. |
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Cuidar de uma orelha caída em cidade de praia
Aqui na Grande Natal a gente lida o ano inteiro com calor, umidade e cão que entra no mar. A orelha caída fecha o canal e segura mais umidade que a orelha cortada, e negar isso seria desonesto. O que fazemos na prática, e orientamos a quem leva um filhote nosso:

- Secar depois de banho, chuva ou mar, levantando a orelha e enxugando a face interna com gaze seca. Leva dez segundos e evita a maior parte dos problemas.
- Olhar uma vez por semana, com o cão calmo e de barriga cheia. Pele rosada, sem cheiro e sem cera escura acumulada é o normal.
- Nunca enfiar cotonete no canal, que só empurra a cera para dentro. Limpeza se faz com produto otológico indicado pelo veterinário, e apenas quando há motivo.
- Ligar o alarme diante de cheiro adocicado, secreção escura, cabeça inclinada para um lado ou cão coçando e sacudindo a cabeça. Otite pega cedo se resolve simples; otite ignorada vira crônica e cara.
Repare que nada disso é cirurgia. Otite se previne com manejo, e é por isso que a tabela acima trata "cortar para evitar otite" como o que ele é: desculpa.
Por que o Dobs Kennel não corta
Nossa doutrina é simples: não se corta um filhote saudável por estética. A orelha natural dá ao Doberman uma expressão mais doce no convívio, sem tirar um grama da vigilância. E as orelhas caídas trabalham: viram na direção do som, sinalizam atenção, medo e alegria, e o cão se comunica com elas, com a família e com outros cães.
Quem busca um cão de guarda encontra no Doberman de orelha natural o mesmo guardião de sempre. O que faz um bom protetor é genética, socialização e condução, exatamente o que trabalhamos no nosso método de direcionamento, o mesmo que usamos para indicar o filhote certo para famílias com crianças.
Como identificar o criador pelo detalhe da orelha
- Canil que anuncia filhote "já com orelha cortada" está te contando como trata os filhotes dele. Ouça.
- Canil que promete "orelha em pé natural" está te contando que inventa. Também ouça.
- Criador sério mostra os pais de orelha natural, explica o padrão e deixa a decisão estética morrer no passado, onde ela pertence.
As perguntas que chegam no nosso WhatsApp
Dá para cortar depois, quando ele for adulto? Não. A conchectomia é feita no filhote justamente porque a cartilagem ainda é maleável, e em cão adulto o resultado não para em pé. Some-se a isso o principal: no Brasil, nenhum veterinário pode fazer o procedimento por estética, em idade nenhuma.
Comprei um Doberman de outro canil e ele veio cortado. E agora? Agora nada muda para o seu cão. Ele já está criado, não sofre por isso hoje e não precisa de reparo. Vale só o cuidado extra com a borda da orelha erguida, que fica exposta ao sol e a arranhões, e uma olhada do veterinário se houver crosta ou ferida que não fecha.
A orelha caída atrapalha a audição? Não. O Doberman de orelha natural ouve a chave na fechadura antes de você chegar ao portão. A orelha ereta ajuda a localizar melhor a direção de um som distante, e isso praticamente não pesa na vida de um cão de casa.
E a cauda? Mesma regra e mesma resolução do CFMV: a caudectomia por estética também está vedada. Nossos filhotes saem com a cauda inteira, e ela é um pedaço grande da comunicação do cão, como qualquer família percebe na primeira semana. O que vai junto na saída do filhote está detalhado em como funciona a entrega do filhote.
Quer conhecer o visual completo da raça sem bisturi? Veja o que muda no Doberman marrom e as diferenças entre as linhas americana e europeia. E para ver nossos Dobermans de orelha natural ao vivo, chama no WhatsApp do site: mandamos fotos e vídeo chamada direto do canil.

Quem escreve
Marcelo Vaz
Empresário e fundador da Dobs Kennel
Marcelo Vaz é empresário e fundador da Dobs Kennel, canil de Dobermans em Nísia Floresta (RN). Ainda menino, já sabia qual cachorro queria ter. A paixão pelo Doberman atravessou os anos e virou o canil que ele conduz com a seriedade de quem esperou muito por isso. “Não somos veterinários, mas estudamos cada assunto a fundo e só escrevemos o que tem base na ciência e em fontes confiáveis”, diz.
- RegistroCBKC / FCI
- AfixoImperio Real Norte
- OndeNísia Floresta, RN
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